Com o mundial de futebol o assunto crédito de carbono ganhou mais espaço na mídia. Isso porque nunca se teve uma Copa do Mundo tão sustentável – parabéns Brasil! Estádios, empresas e patrocinadores trabalham para neutralizar suas emissões de CO2 durante os jogos.
Mas o que isso significa, afinal? Vamos por partes.
Com o surgimento do Protocolo de Kyoto nasce um mercado de créditos de carbono com o objetivo de reduzir a emissão dos gases de efeito estufa (GEE). O protocolo criou o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), que certifica nações em desenvolvimento por suas reduções em emissão.
Quem conquista esta certificação tem direito a créditos de carbono e pode comercializá-los com os países que têm metas a cumprir.
Na prática, cada país faz parte de um grupo, definido pela Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima – CQNUMC – tratado que tem por objetivo a estabilização da concentração de GEEs na atmosfera.
Os signatários da CQNUMC são separados em três grupos:
• Países do Anexo I (países industrializados);
• Países Anexo II (países desenvolvidos que pagam os custos para países em desenvolvimento);
• Países em desenvolvimento.
Uma tonelada de dióxido de carbono (CO2) corresponde a um crédito de carbono. A redução da emissão de outros gases, igualmente geradores do efeito estufa, também pode ser convertida em créditos de carbono, utilizando-se o conceito de Carbono Equivalente.
Funciona da seguinte forma: o potencial de aquecimento global de CO2 é igual a um; o metano é 21 vezes maior. Então, uma tonelada de metano reduzida equivale a 21 créditos de carbono.
Confira mais alguns valores:
• CO2 – Dióxido de Carbono = 1
• CH4 – Metano = 21
• N2O – Óxido nitroso = 310
• HFCs – Hidrofluorcarbonetos = 140 ~ 11700
• PFCs – Perfluorcarbonetos = 6500 ~ 9200
• SF6 – Hexafluoreto de enxofre = 23900
Mas não pense que o fato de poder comprar créditos de carbono dá, ao país, o direito ilimitado de poluir. Cada nação tem uma cota máxima de créditos que pode comercializar, tudo dentro das metas do Protocolo de Kyoto.
Copa do Mundo 2014: surge outro tipo de doação
O Ministério do Meio Ambiente realizou a Chamada Pública, ação que visa fortalecer a sustentabilidade na Copa. O principal objetivo é reunir empresas para doar Reduções Certificadas de Emissões (RCEs) de projetos brasileiros do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) para a estratégia de Compensação de Emissões de GEE durante o Campeonato Mundial de Futebol.
Antes mesmo dos jogos começarem, 420,5 toneladas de gás carbônico já haviam sido compensadas. Até o dia 1º de julho, 15 empresas haviam doado, juntas, 540,5 mil toneladas de CO2 equivalente em créditos de carbono. Esse total representa nove vezes o que o governo esperava receber ao lançar iniciativa. A campanha ainda segue até o dia 18 de julho.
Abaixo, confira as empresas que fazem parte da campanha.
- Aperam South America
- Arcelormittal Brasil
- Bunge Brasil
- Estre Ambiental S.A.
- Gerdau S.A.
- Iniciativa Pessoas pelo Clima (P4C)
- Plantar Carbon Ambiental Ltda.
- Rhodia Uma Empresa do Grupo Solvay
- Rima Industrial S.A.
- Sinobras Siderúrgica Norte Brasil S.A.
- Solvi Participações S.A.
- Tractebel Energia S.A.
- Usiminas Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais S.A.
- Vallourec Tubos do Brasil S.A.
- Waycarbon Soluções Ambientais e Projetos de Carbono Ltda.
Os participantes recebem o selo Baixo Carbono, do Ministério do Meio Ambiente, a fim de incentivar a redução de GEEs e valorizar o trabalho realizado sem envolver nenhum tipo de transação financeira.
A TAM comprou 100 mil créditos voluntários de carbono para compensar as emissões de gases do efeito estufa de voos extras durante a Copa do Mundo 2014. Os créditos vêm de seis projetos no Brasil que reduzem emissões através da substituição de combustíveis em usinas de energia, descartando as fontes fósseis e usando biomassa renovável.
Certificado LEED
Seis estádios brasileiros foram certificados com o Leadership in Energy & Environmental Design (LEED), certificação ambiental para edificações da United States Green Building Council – uma das mais importantes certificadoras ambientais do mundo.
As arenas Maracanã, no Rio de Janeiro, Fonte Nova, em Salvador, Mineirão, em Belo Horizonte, Arena da Amazônia, em Manaus e Arena Multiuso, em Salvador obtiveram o selo “Prata”. A Arena Castelão, em Fortaleza teve a designação “Certificado LEED”
Os selos são Platinum, Ouro, Prata e Bronze, e são aplicados conforme a pontuação obtida na avaliação de sete critérios: espaço sustentável, eficiência do uso da água, energia e atmosfera, materiais e recursos, qualidade ambiental interna, inovação e processos e créditos regionais.
Fonte: Wikipédia, Ipam, Brasil.gov, Ambiente Energia e Portal da Indústria.
Fonte: Roberta Romão / Consumidor Conciente / Mercado Ético