Para resolver a crise global de energia e evitar que o clima destrua nossa civilização, a humanidade precisa de uma nova revolução
Foi o fogo que nos fez humanos. Quando o homem pré-histórico dominou a chama, conquistou uma fonte de energia que permitiu cozinhar a comida, aumentando a ingestão de nutrientes e tornando possível um cérebro tão potente.
Milênios depois, foram os combustíveis fósseis que nos fizeram modernos. A queima de carvão e petróleo tornou disponível à nossa espécie uma quantidade mastodôntica de energia, o que inaugurou a civilização industrial – e possibilitou os carros, as fábricas, os aviões, a globalização, a internet.
Agora, à beira de uma crise ambiental que ameaça destruir nossas cidades, nossas plantações e nossa economia, o homem precisa de uma terceira revolução. “Precisamos reinventar o fogo”, diz o físico Amory Lovins, considerado pela revista Time uma das 100 pessoas mais influentes do planeta.
“É um absurdo que, no século 21, 80% da energia consumida ainda seja gerada com a queima de pântano decomposto”, disse Lovins numa palestra. Soa mesmo pré-histórico: iPads movidos a carvão queimado. Assim, sufocamos a Terra com uma nuvem de fumaça e fuligem.
A crise de energia que enfrentamos na verdade são duas. De um lado, a energia que usamos para transporte, que move carros, caminhões e aviões. Do outro, aquela que produzimos em usinas e serve para abastecer casas e fábricas, e para iluminar ruas.
Cada um desses problemas parece impossível de resolver. Lovins acha que a solução é juntar os dois. “O problema da energia é mais fácil de resolver junto que separado”, diz.
Ao mesmo tempo em que mudamos o combustível dos carros, tornando-os elétricos, precisamos mudar a matriz energética do mundo, trocando o óleo e o carvão por sol, vento e gás gerado pela queima de lixo.
Resolver um sem o outro não adiantaria. Carros elétricos não servirão para nada se a energia que eles puxam da rede continuar provindo de pântano queimado. E serão as baterias dos carros, plugados na rede, que armazenarão a energia solar e eólica para os dias nublados e sem vento.
Lovins tem um plano para aposentar carvão e petróleo até 2050. “Será uma das transições mais importantes da história, rumo a um novo modelo de civilização, com energia de fontes gratuitas e inesgotáveis”. Uma revolução tão grande quanto a descoberta do fogo. Veja algumas ideias que irão alimentar essa revolução.
APROVEITE A BRISA DO MAR
O vento gira uma hélice gigante conectada a um gerador que produz eletricidade. Difícil encontrar fonte de energia mais limpa que a eólica. Só que as turbinas ocupam espaço pacas e causam inconvenientes para quem vive perto delas.
Em Portugal, uma solução criativa foi levá-las para o lugar que fez a fama de Cabral: o mar. Além do espaço abundante, no oceano não tem prédio ou montanha obstruindo o vento.
No final de 2011, a EDP, companhia de energia portuguesa, instalou sua primeira turbina eólica offshore, com uma tecnologia chamada WindFloat, um sistema flutuante. Portugal, diga-se, já tem quase 50% de sua energia proveniente de fontes limpas. A meta é que, em 2020, elas respondam por dois terços do total.
Foto: Alexandre Piovani
Fonte:Alexandre Carvalho dos Santos /Planeta Sustentável