Um dos principais desafios atrelados ao avanço dos biocombustíveis é o de garantir que sua demanda seja atendida de forma sustentável, avalia o WWF-Brasil.
A cadeia de produção deve ser certificada para que não ocorram novos desmatamentos e áreas ecologicamente sensíveis e populações não sejam prejudicadas.
O WWF-Brasil defende e apóia a implantação dos modelos de certificação RSB (sigla em Inglês para Mesas Redondas para Biocombustíveis Sustentáveis) e BonSucro** para a produção de biocombustíveis no Brasil.
Assim, sua fabricação levará em conta a redução das emissões de gases de efeito estufa, o bom uso da terra, a conservação da biodiversidade e o respeito às legislações trabalhista e ambiental.
"Isso precisa se tornar uma realidade para produtores de todos os portes e em todas as regiões do país. Há pelo menos 60 milhões de hectares de pastagens degradadas que poderiam ser convertidas para a produção de bicombustíveis ou alimentos", defendeu Edegar de Oliveira Rosa, do Programa Agricultura do WWF-Brasil.
Princípios como esse foram incorporados ao relatório Plano de Vôo para Biocombustíveis de Aviação no Brasil: Plano de Ação (atalho ao lado), fruto de um projeto realizado durante 2012 e início de 2013 que avaliou matérias-primas e tecnologias, bem como barreiras produtivas e comerciais a serem superadas.
“Nem toda bioenergia é energia sustentável. Os combustíveis precisam ser desenvolvidos de acordo com fortes critérios de sustentabilidade para atender às necessidades do setor de aviação. É importante discutir essas questões, já que a certificação de sustentabilidade se tornará, cada vez mais, um requisito de acesso aos mercados, e porque os padrões e processos de certificação são complexos e requerem adaptações na cadeia de suprimentos. É igualmente crucial assegurar que os requisitos de sustentabilidade sejam observados na prática, mediante certificação e fiscalização, e pela garantia de cumprimento das leis aplicáveis”, cita o relatório.
A iniciativa, liderada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, Boeing, Embraer e Unicamp, reuniu 400 cientistas brasileiros e 100 de outros países dedicados ao desenvolvimento de um biocombustível a partir de qualquer biomassa produzida em escala comercial, com custo competitivo e que possa ser misturado ao querosene de aviação convencional.
Afinal, modificar motores, turbinas e sistema de distribuição de combustível das aeronaves em uso seria extremamente caro.
Cana-de-açúcar, soja e eucalipto são os três melhores candidatos para iniciar uma indústria nacional de biocombustíveis para aviação. Mas o pinhão-manso, algas, babaçu, mandioca e até resíduos podem se tornar opções viáveis.
No relatório, os pesquisadores também apontam diversas tecnologias de conversão e refino, todas em teste para produzir biocombustíveis e já usadas usados em vôos de demonstração, no país e no Exterior.
Aviação - É o meio de locomoção que mais cresce em emissões de gases de efeito estufa e, junto com o transporte marítimo, lidera o crescimento das emissões de carbono do setor de transportes, contribuindo para as mudanças globais do clima.
O setor contribui com 2% das emissões totais de gases de efeito estufa no planeta, enfrenta o desafio de reduzir pela metade a emissão de dióxido de carbono em 2050, em comparação com os níveis de 2005, conforme estabeleceu a Associação de Transporte Aéreo Internacional (Iata, na sigla em inglês).
É importante que outras frentes sejam exploradas, não só os biocombustíveis. Reduzir o consumo de combustíveis e as emissões de gases de efeito estufa através de motores mais eficientes, melhorando a aerodinâmica e usando ligas metálicas mais leves no projeto dos jatos, além de melhor organizar o tráfego aéreo, são partes da solução.
Todavia, a forte expansão do transporte aéreo e o aumento da frota no mundo são o maior desafio. O setor brasileiro de aviação cresce mais rápido do que a média global e, de acordo o relatório, em 2010 transportou 71 milhões de passageiros e 870 mil toneladas de carga dentro e fora do país.
As projeções indicam que o Brasil será o quarto maior mercado de tráfego aéreo doméstico do mundo até 2014.
* Com informações da Agência Fapesp
Autor:Aldem Bourscheit
Fonte: WWF